Devido a que a norma expressava que, nas pesquisas dos fatos mais graves, o Poder Executivo poderia exceptuar a alguns casos dessa anistia, desde que a esquerda chegou ao poder, em 2005, alguns militares, policiais e civis (inclusive o ex-mandatário Juan Maria Bordaberry) foram julgados. Outros, como o ex-diretor da prisão de “Libertad”, o cnel. Walter Gulla, processado por um detido ter se suicidado durante o seu período a frente do cárcere, ante o peso das inconsistências presentes na exagerada peça acusatória, foram libertados, destino aguardado por outro militar, o Cnel. Juan Cárlos Gómez, acusado de ter cometido um crime pessoalmente, quando a 400 kilômetros do lugar dos fatos.

Outros, como o ex-diretor de RRPP do Exército, Cnel. Tranquilino Machado, quem, cumprindo uma ordem direta , quando jovem alferes, de dissolver uma passeata agressiva a qualquer custo, tendo vitimado em 1973, nessas circunstâncias, a um militante comunista nas ruas de Montevideu, se entregando imediatamente, devolvendo a sua arma e recebendo a ajuda psicológica de praxe, sendo absolvido por un tribunal militar, foi julgado novamente e condenado, deve recuperar a liberdade nas próximas jornadas.
Perante a sentença do Judiciário, a esquerda radical (tanto aqueles grupos vinculados ao oficialismo, como Tupamaros, Comunistas e parte do socialismo), como a mais extrema e extrapartidária, liderada por um dos fundadores dos tupamaros, Jorge Zabalza-co –responsável da grande caderna organizada em 1994 para tentar libertar a 4 terroristas bascos da ETA, detidos no Uruguai- o stalinista “Movimento 26 de Março”, grupos maoistas, e artistas, como o escritor Eduardo (Hughes) Galeano e o cantor tupamaro Daniel Viglietti, produziram um motim, invadindo a Corte de Justiça, pouco antes da mesma repor a anistia, quando esta trasladou uma juiza do crime, de conhecidas simpatias políticas a um outro juizado, civil , promovendo outros eventos críticos nas horas seguintes.
Os mesmos convocantes, junto à primeira dama e primeira senadora, Lucía Topolansky, em nome do MPP/MLN Tupamaros, e Mónica Xavier, à presidente da oficalista Frente Ampla, que coliga a todos os grupos governistas, chamaram a repudiar a sentença da Corte de Justiça, numa passeata ao redor da sua sede, no centro de Montevidéu na segunda passada.
Simultaneamente, legisladores oficialistas, contrários às sentenças do Supremo Tribunal, que decidiu evitar explica-las no Congresso, ameaçam –ilegalmente- pedir o impeachment dos juizes. A Polícia triplicou a custodia aos magistrados e a sua sede administrativa, cercando o predio para evitar ataques como os anteriores, alguns dos quais se extenderam por quase quatro horas, impedindo fazer o devido juramento aos novos juizes enquanto durou a baderna, finalmente dissolvida pelas forças de segurança.
(Javier Bonilla)









