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França suspende entrega do "Vladivostok" à Rússia

(defensa.com) As autoridades Francesas tomaram a decisão de suspender por tempo indeterminado a entrega de um navio de projecção e de comando à Marinha da Rússia à luz do conflito no leste da Ucrânia. A entrega do navio "Vladivostok" do tipo BPC (Bâtiment de Projection et de Commandement) construído nos estaleiros da STX Europe em Saint-Nazaire estava prevista para ter lugar em Outubro ou Novembro, em França. A Francesa DCNS e a Rosoboronexport da Rússia celebraram um contrato em Junho de 2011 para a construção dos navios "Vladivostok" e "Sebastopol" com entrega à Marinha da Rússia em 2014 e 2015 respectivamente.

Cerca de 400 militares da Marinha da Rússia recebem actualmente formação na operação do navio e estão previstos testes de mar ainda durante o mês de Setembro.

Esta decisão das autoridades Francesas surge antes do da Cimeira da NATO a ter lugar no País de Gales, Reino Unido de 4 a 5 de Setembro. Diversos países da NATO mostraram no passado recente o seu descontentamento pela França querer prosseguir com o fornecimento dos dois navios de guerra à Rússia.

O Presidente da República Francesa Francois Hollande declarou que apesar da possibilidade de vir a ser instaurado um cessar-fogo nas regiões de Donetsk e Lugansk, este ainda precisa de ser confirmado e implementando, e que à data de hoje não estavam reunidas as condições para que o navio seja entregue à Marinha da Rússia.

O Conselho de Defesa Francês qualificou a situação na Ucrânia de muito séria e que as acções recentemente empreendidas pela Rússia eram uma clara ameaça à segurança na Europa.

Para além de criar uma tensão política entre os governos da França e da Rússia, a suspensão da entrega do navio poder trazer importantes penalizações contratuais ao construtor naval Francês que a confirmar-se poderá repercutir no pagamento de uma eleva soma monetária. A acontecer o cancelamento do contrato e a respectiva não entrega dos navios, a situação torna-se ainda mais grave já que a França teria que ficar com os dois navios e proceder ao pagamento de uma importante indemnização à Rússia por incumprimento do contrato.

Esta última possibilidade pode ainda dificultar as relações políticas e económicas entre as duas nações, com consequências a curto e a médio prazo. O não cumprimento do acordo com a Rússia pode também fazer que Franca seja vista como um país pouco fiável na hora de cumprir os contratos de itens militares.

Estes acontecimentos afectam ainda outras empresas Francesas responsáveis pelo fornecimento de equipamentos para os dois navios, como o radar, sistemas de comunicações, o sistema de gestão de combate, lanchas de desembarque e sistemas electro-ópticos. (Victor M.S. Barreira)

Fotografia: A Rússia contratou dois navios do tipo BPC à Francesa DCNS, aqui o L9015 FS "Dixmude" da Marinha Francesa (Victor M.S. Barreira).


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